sexta-feira, 15 de abril de 2016

TODOS OS TELEFONES DO PRESIDENTE LULA

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  Este presente volume faz uma análise das ligações telefônicas que o juiz Sergio Moro retirou o sigilo do processo e permitiu que a sociedade brasileira tomasse conhecimento do complô que Lula, Dilma e a cúpula do Partido dos Trabalhadores tramavam contra o Brasil. Em seu plano de poder, o PT enriqueceu seus membros mais ilustres e arregimentava sua quadrilha na ralé da sociedade com seus exércitos paralelos como o MST, os ditos movimentos sociais, os sindicatos e grupos sanguessugas como a CUT (Central Única dos Trabalhadores).  As revelações das conversas telefônicas deixaram o Brasil estarrecido com as manobras ilegais que o PT tramava para livrar Lula das mãos pesadas da justiça federal, em especial, da REPÚBLICA DE CURITIBA, pois daquela capital brasileira, uma força conjunta da Policia Federal, do Ministério Público Federal e da Justiça Federal, desvendou-se o maior esquema de corrupção da história do Brasil e mesmo da história da humanidade. O volume de dinheiro desviado do erário público e da Petrobrás trata-se de uma soma astronômica que bandidos mancomunados transferiram para sustentar a máfia do PT


quinta-feira, 10 de março de 2016

LIVRO: O DIABO ESTÁ AO SEU LADO

O Escriba Valdemir publicou este livro e pode ser comprado impresso ou em e-book no endereço abaixo, além de dezenas de outras editoras e livrarias virtuais. Pode ser lido na íntegra logo a seguir.

https://www.clubedeautores.com.br/book/204955--O_Diabo_esta_ao_seu_lado?topic=desenvolvimento#.VuIzdfkrLIU
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Tive inúmeras experiências com os demônios, e a cada dia tenho novas experiências. Ninguém passa por este mundo sem sentir por algum momento uma perturbação em sua vida. Um vulto que passou por trás de você, uma voz chamando seu nome e você não vê ninguém. Um pesadelo extremamente assustador. Um impulso maligno para fazer algo contrário a sua consciência. Muitas vezes uma voz, como se houvesse outra pessoa discutindo em sua mente com você, te tentando para fazer algo proibido. Cada um fazendo uma retrospectiva da sua vida perceberá que em alguns momentos uma presença maligna o cercou. Não tem como evitar isso. Aliás, quanto mais a pessoa se volta para Deus, mais chances ela terá de sentir o Mal lhe rondando, lhe cercando e espreitando sua vida, porque o Diabo não quer ninguém bem.  



domingo, 17 de janeiro de 2016

ENTENDA A CONGREGAÇÃO CRISTÃ - VOLUME II - CONVENÇÕES DE 1965 A 1971

O Escriba Valdemir publicou este livro que você pode ler aqui na íntegra.Trata-se de uma. crítica textual sobre as deliberações das convenções da CCB entre os anos de 1965 a 1971 Contendo 183 páginas. O livro pode ser adquirido impresso no endereço a seguir:

https://clubedeautores.com.br/book/201801--Entenda_a_Congregacao_Crista__Volume_II#.Vpu8fvkrLIU
http://www.amazon.com/


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A CCB (Congregação Cristã no Brasil) é hoje considerada a terceira maior denominação evangélica do Brasil, só perdendo em membros para a Assembleia de Deus e para a Igreja Batista. Sua história é ligada ao surgimento do maior avivamento espiritual dos Estados Unidos, com os eventos sobrenaturais da Rua Azuza, que deu origem ao pentecostalismo moderno. Dali saíram Daniel Berg que fundou a Assembleia de Deus no Brasil, começando por Belém do Pará, e também pela Rua Azuza passou Luigi Francescon que fundou a Congregação Cristã no Brasil, iniciando a obra no Estado do Paraná. Este livro faz parte de uma série que estuda a evolução do pensamento na CCB, analisando as deliberações das convenções anuais.






terça-feira, 12 de janeiro de 2016

LIVRO: APOCALIPSE COMENTADO PELO ESCRIBA


O Escriba Valdemir publicou este livro que você pode ler aqui na íntegra.Trata-se de uma explicação do Apocalipse versículo por versículo, analisando o texto nos manuscritos grego e interpretando-o, Contendo 356 páginas. O livro pode ser adquirido impresso no endereço a seguir:

https://clubedeautores.com.br/book/200513--APOCALIPSE_COMENTADO_PELO_ESCRIBA?topic=hermeneutica

http://www.amazon.com/apocalipse-comentado-pelo-escriba-Portuguese/dp/1522923144/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1452608888&sr=8-2&keywords=apocalipse+comentado+pelo+escriba

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Aqui temos um livro que poderá ajuda-lo a entender o Apocalipse, que sem dúvida é o livro mais difícil de interpretar das Escrituras Sagradas. Nós sabemos a responsabilidade que é interpretá-lo, por isso nos exaustamos para poder compreender as ideias do livro, afinal, a interpretação errônea do Apocalipse faz surgir seitas, e é por isto que surgiram os Adventistas, os Mórmons, e as Testemunhas de Jeová; tivemos que ler muitos comentários e inclusive orar, pedindo entendimento e cremos que a nossa exposição está dentro daquilo que BREVEMENTE DEVE ACONTECER. Esta obra também estuda os manuscritos antigos que serviram de base para a tradução do livro do Apocalipse. O Apocalipse tem um ingrediente de complexidade a mais, porque o texto original continha tantos erros gramaticais que os escribas que faziam copias tentaram corrigir alguns erros, criando variantes textuais, todavia, nada que comprometesse as ideias originais do livro.




sexta-feira, 2 de outubro de 2015

LIVRO: MEMORIAL CRIMINOSO DO PT - VOLUME I

O Escriba Valdemir publicou este livro que você pode ler aqui na íntegra. São 42 capítulos falando dos crimes cometidos pelo Partido dos Trabalhadores. O livro pode ser adquirido impresso no endereço a seguir:

https://clubedeautores.com.br/book/194321--MEMORIAL_CRIMINOSO_DO_PT




terça-feira, 30 de junho de 2015

REINALDO AZEVEDO - BIOGRAFO DE LULA

Se o Reinaldo escrevesse u livro sobre o ladrão do ex-presidente da república do Brasil, ele precisaria de um volume como a Enciclopédia Britânica. (Escriba Valdemir Mota de Menezes)

26/09/2014
 às 4:15

Lula ultrapassa o limite da estupidez em comício em Santo André e desenvolve a teoria de que roubar banco é uma atividade que faz sentido… Dá para entender por que Dilma quer dialogar com cortadores de cabeças

Pois é… Volta e meia alguém indaga se não pego excessivamente no pé do PT e dos petistas. Isso me custa, sei disto, em certos nichos, a fama de radical. Radical? Eu? Na quarta-feira à noite, com a responsabilidade de quem já foi presidente da República por oito anos e é líder inconteste do maior partido do Brasil, Lula participou de um comício em Santo André, no ABC paulista, em defesa da candidatura do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.
Num dado momento, com a irresponsabilidade que o caracteriza, o chefão do PT resolveu criticar a segurança pública no Estado, especialmente o elevado número de assaltos. E afirmou o seguinte:
“Eu, antigamente via: ‘bandido roubou um banco’. Eu ficava preocupado, mas falava: “Pô, roubar um banqueiro… O banqueiro tem tanto que um pouquinho não faz falta. Afinal de contas, as pessoas falavam: ‘Quem rouba mesmo é banqueiro, que ganha às custas do povo, com os juros’. Eu ficava preocupado. [...] Era chato, mas era… sabe?, alguém roubando rico.”
Como se nota, para Lula, sempre que um rico — ou alguém que o PT considera “rico” — é roubado, está-se diante de alguma forma de justiça. Para este senhor, o roubo é uma espécie de distribuição de renda. Vai ver é por isso que a Petrobras, sob a gestão do PT, é o que é. Vai ver é por isso que, sob a governança do partido, a roubalheira de dinheiro público assumiu proporções pantagruélicas. O irresponsável se esquece de que bancos pagam seguro contra roubos e, obviamente, diluem essa despesa nas taxas que cobram dos correntistas. Assim, não são os banqueiros que pagam. Mas que se note: ainda que fossem, o roubo continuaria a ser um crime. Não para esse gigante moral!
A fala, é evidente, faz parte do pacote petista de demonização dos bancos. O partido decidiu que só conseguirá mais um mandato se transformar os banqueiros nos grandes vilões do Brasil.
Em seguida, Lula lamentou que os assaltantes estivessem também roubando cidadãos comuns, os pobres. E afirmou:
“Essa semana, a Joana, que trabalha comigo, é irmã da Marisa [referia-se à sua própria mulher], na frente do hospital perto de casa (…), oito horas da manhã, o cara encostou um negócio nas costas dela e falou: ‘É um assalto, eu tô armado. Continua andando normalmente, me dá o celular e me dá o seu dinheiro. A coitada teve que dar sessenta reais pro ladrão…”
Esse monstro moral deixava claro, então, que feio mesmo é roubar pobre. Mas observem: em nenhum momento ele culpou ou censurou os ladrões. Longe disso! Para Lula, o culpado por haver assaltos é o governador Geraldo Alckmin, do PSDB, que deve ser reeleito no primeiro turno. Padilha, o candidato do PT, está em terceiro lugar nas pesquisas. O Babalorixá de Banânia foi adiante:
“Se o Alckmin não tem competência pra fazer as coisas que o governador tem que fazer, nós temos que dizer pra ele: ‘Alckmin, você já está há muito tempo aí. Saia. E deixa o jovem Padilha governar esse Estado para as coisas começarem a melhorar’.”
É mesmo? Eu gosto de números. Há duas bases de dados para a gente analisar a questão: o “Anuário de Segurança Pública” e o “Mapa da Violência”. Os petistas estão no poder na Bahia, em Sergipe, no Distrito Federal, no Acre e no Rio Grande do Sul. Se são tão sabidos, como diz Lula, a segurança nesses Estados deveria ser exemplar, certo? Neste momento, há 10,23 homicídios por 100 mil habitantes no Estado de São Paulo e 9,81 na capital. São os números mais baixos do país. A ONU considera que a violência deixa de ser epidêmica quando essa taxa cai abaixo de 10.
Segundo o Anuário, em 2012, houve 24,2 assassinatos por 100 mil habitantes no Acre, 40,7 na Bahia, 40 em Sergipe, 32,1 no Distrito Federal, 19,8 no Rio Grande do Sul e apenas 12,4 em São Paulo. Entenderam? A chance de alguém morrer assassinado na Bahia ou no Sergipe petistas, em comparação com São Paulo, é maior do que o triplo, é quase o triplo no Distrito Federal, é o dobro no Acre e 60% maior no Rio Grande do Sul. Vale dizer: os baianos, sergipanos, brasilienses, acrianos e gaúchos que moram em São Paulo estão mais seguros do que os que ficaram em seus respectivos Estados. E olhem que esses são números de 2012. Em 2014, caiu a taxa de homicídios em São Paulo.
Lula, no entanto, acha que os petistas podem dar aula de segurança pública. É evidente que o poderoso chefão estava apenas fazendo fuleiragem eleitoral. Mesmo assim, é preciso lamentar. Um dos mais importantes líderes políticos do país, gostemos ou não disso, afirmou, no alto de um palanque, que assaltar um banco, afinal de contas, não é coisa assim tão grave e é um ato que até faz sentido.
Dá para compreender por que Dilma Rousseff, na ONU, pregou o diálogo com terroristas que degolam, massacram e estupram e vendem mulheres. Ela vem de uma boa escola, não é mesmo?
Por Reinaldo Azevedo


http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/lula-ultrapassa-o-limite-da-estupidez-em-comicio-em-santo-andre-e-desenvolve-a-teoria-de-que-roubar-banco-e-uma-atividade-que-faz-sentido-da-para-entender-por-que-dilma-quer-dialogar-com-cortadores/

sábado, 24 de maio de 2014

OSWALDO CRUZ

Reportagem
edição 11 - Setembro 2004
O Rio de Janeiro em pé de guerra
A resistência popular, conhecida como Revolta da Vacina, teve o apoio de positivistas e da Escola Militar
por Moacyr Scliar
A imprensa ridicularizava Oswaldo Cruz e a vacinação obrigatória.Caricatura de Vasco Lima, 1904
Há um século, o povo do Rio de Janeiro pegou em armas contra o projeto de vacinação obrigatória proposto pelo sanitarista Oswaldo Cruz. A resistência popular, quase um golpe militar, teve o apoio de positivistas e da Escola Militar.

Seria preciso não conhecermos a vida da cidade do Rio de Janeiro, mesmo nos seus dias anormais, para não compreendermos os acontecimentos de ontem que encheram de pânico e pavor toda a população.
Houve de tudo ontem. Tiros, gritos, vaias, interrupção de trânsito, estabelecimentos e casas de espetáculos fechadas, bondes assaltados e bondes queimados, lampiões quebrados à pedrada, árvores derrubadas,edifícios públicos e particulares deteriorados." - Gazeta de Notícias, 14 de novembro de 1904.

Tudo começou no dia 10 de novembro de 1904 com uma pequena manifestação: estudantes - não raro são eles que começam estes movimentos - saíram às ruas, gritando lemas de protesto, entoando canções satíricas. Houve confronto com a polícia, violência, prisões. No dia seguinte, novas manifestações, agora com troca de tiros, a indicar que o conflito se ampliava. No dia 12 o número de pessoas nas ruas cresceu consideravelmente. Em passeata, os manifestantes dirigiram-se ao Palácio do Catete, sede do Governo Federal.

Tiros foram disparados contra o carro do comandante da Brigada Policial, o general Piragibe. O Exército entrou de prontidão. No domingo, dia 13, estava caracterizada a rebelião. O centro da cidade do Rio de Janeiro e os bairros adjacentes, Tijuca, Gamboa, Saúde, Laranjeiras, Botafogo, Rio Comprido, Catumbi e Engenho Novo transformaram-se em campo de batalha. Bondes eram virados e incendiados, os lampiões de gás eram quebrados e começavam a surgir barricadas.
Cem anos depois dessas manifestações de violência, o modo costumeiro de explicá-las ainda é a rejeição popular à vacina contra a varíola. Como veremos, porém, essa interpretação é no mínimo simplista. Sim, a denominação de Revolta da Vacina ficou na história. Sim, havia resistência contra a vacina. Mas, a Revolta foi mais, muito mais do que isto.

EPIDEMIAS

Em nosso país as epidemias eram muito freqüentes. A febre amarela, por exemplo, ocorria desde o século dezessete. Trata-se de uma doença viral, como a varíola, mas transmitida por picada de mosquito, que ataca vários órgãos, entre eles o fígado, fazendo com que componentes da bile entrem no sangue e dêem à pele uma coloração amarelada; daí o nome. O número de casos chegou a diminuir, mas a febre amarela foi reintroduzida em 1849 quando um navio americano, ironicamente chamado Brazil, chegou a Salvador, procedente de New Orleans e Havana.

A epidemia que então eclodiu resultou em cerca de 2800 óbitos. Em 1895, aconteceu o contrário: a tripulação do navio italiano Lombardia, então em visita ao Rio de Janeiro, foi acometida de febre amarela. Dos 340 homens a bordo 333 adoeceram e 234 morreram, fato que teve repercussão internacional, e que representava um sério problema para o Brasil.
O Rio de Janeiro tornou-se o cenário preferencial para as mudanças que ocorriam no país.

A então capital federal estava longe de ser a Cidade Maravilhosa, mais tarde cantada em prosa e verso. Apesar da beleza natural, a infra-estrutura sanitária era precaríssima; o lixo acumulava-se nas ruas, sempre cheias de gente, o abastecimento de água era precário, esgoto praticamente inexistia. Por toda a parte encontrava-se os quiosques, pequenos estabelecimentos de rua que vendiam alimentos sem nenhuma condição de higiene.

A população vivia em cortiços, imensas habitações coletivas. Um deles tinha a entrada decorada com grotescas cabeças de suíno, de onde veio a expressão "cabeça de porco". Nesta época também surgia a favela. Este era o nome de um arbusto muito comum na região de Canudos. Os veteranos dessa campanha, regressando ao Rio, foram morar em um morro que ficou conhecido exatamente por essa denominação, Favela.
Grassavam doenças como a febre amarela, a peste, a varíola. O que também tinha graves conseqüências econômicas. O Brasil era considerado um país perigoso, não por causa de violência, mas das enfermidades infecciosas. As agências européias anunciavam viagens de navio direto para Buenos Aires, sem escala no Brasil. Privado do transporte marítimo, o Brasil não conseguia exportar café, principal fonte de divisas.

DÍVIDA EXTERNA

Não havia dinheiro para pagar a enorme dívida externa, contraída sobretudo com bancos ingleses. O governo inglês chegava a falar em intervenção militar. A cafeicultura também era prejudicada em termos de mão-de-obra: os emigrantes eram particularmente vulneráveis à febre amarela.

governo federal resolveu agir, então, em duas frentes: reforma urbana e combate a doenças. O presidente Rodrigues Alves, que assumiu o cargo em 1902, entregou a prefeitura da capital, então cargo de confiança, a Francisco Pereira Passos. Filho de um rico proprietário rural, Pereira Passos estudara engenharia e fora nomeado adido da legação brasileira em Paris, onde completara seus estudos e observara a reforma empreendida na capital francesa por Georges Eugène, barão Haussmann: bairros inteiros eram arrasados para dar lugar a largas avenidas e praças - o que facilitava o trânsito e evitava a formação das barricadas, que então caracterizavam as revoltas populares. Para implantar o modelo haussmaniano, Pereira Passos recebeu do governo amplos poderes.

Como em Paris, casas foram demolidas, ruelas estreitas foram alargadas, amplas avenidas foram construídas. Mas Pereira Passos tomou outras medidas contra "velhas usanças": por exemplo, lojas não poderiam mais pendurar artigos em umbrais de portas, teriam de exibi-los em vitrines (como em Paris). Uma verdadeira guerra foi movida contra os quiosques. Era proibido, por decreto, urinar e cuspir nas ruas. Até o candomblé e a capoeira foram severamente reprimidos, por causa da "imoralidade". O Rio civilizava-se, dizia o cronista João do Rio, mas nem todos estavam felizes com o processo civilizatório em curso, sobretudo com o "bota-abaixo". Houve protesto, houve revolta. O proprietário de um casebre que ia ser demolido recusou-se a deixar o local. A demolição foi feita com o homem lá dentro.
Rodrigues Alves estava particularmente atento aos problemas de saúde pública. Rico fazendeiro de café, sabia da ameaça representada pela febre amarela aos emigrantes que trabalhavam na lavoura. Ele mesmo tinha perdido uma filha vítima da doença. Além disso, tinha interesse pessoal nas questões de saúde e de doença, chegando a freqüentar reuniões científicas. Mas o presidente não poderia, claro, assumir o comando da luta contra as doenças. Alguém deveria cuidar disso. Mas, naquela época não havia ainda Ministério da Saúde. As ações de saúde pública estavam a cargo do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, cujo titular era J.J.Seabra. Para o cargo de diretor de Saúde Pública, equivalente ao do atual ministro, Seabra convidou seu médico particular e amigo, Sales Guerra. Que não aceitou, mas indicou o seu colega e também amigo, Oswaldo Cruz. E assim entrou na história do nosso país um personagem fascinante.

Surge a ciência brasileira

Em seu livro Gênese e evolução da ciência brasileira, a historiadora e brasilianista norte-americana Nancy Stepan vê em Oswaldo Cruz o pioneiro da ciência no Brasil, o que chama a atenção: na Europa, ciência estava associada à astronomia, à física, à química, com nomes como os de Galileu, Newton, Lavoisier. No Brasil a ciência surgiu de maneira diferente, por causa de Oswaldo Cruz. Mas quem era ele?
Oswaldo Gonçalves Cruz nasceu a 5 de agosto de 1872 na pequena cidade paulista de São Luís do Paraitinga, onde seu pai, Bento Gonçalves Cruz, trabalhava como médico.

O doutor Bento era um homem disciplinador, autoritário mesmo. Uma vez mandou chamar o filho na escola porque Oswaldo tinha ido para a aula sem arrumar a cama, como era sua obrigação. Essa obsessão pela ordem, pela organização, seria incorporada por Oswaldo. Que, no entanto, não era submisso. Anos depois, Bento surpreendeu o filho fumando e repreendeu-o. "Mas o senhor também fuma", retrucou Oswaldo. Uma resposta assim, altiva, poderia ser motivo de castigo. Bento, porém, reconheceu que Oswaldo tinha razão. A partir de então, não fumou mais. Honra, trabalho, dever: esses eram seus valores. Figurariam em seu testamento como diretrizes morais para os filhos.

O doutor Bento decidiu deixar o interior para morar no Rio de Janeiro. Lá conseguiu um emprego, que Oswaldo herdaria, como médico de uma fábrica de tecidos. Mais tarde, foi nomeado pelo imperador membro da Junta Central de Higiene Pública, um órgão federal que fiscalizava coisas como alimentos e condições de habitação. Progrediu na carreira, chegando ao cargo de inspetor-geral. Oswaldo freqüentou bons colégios e, seguindo o exemplo do pai, estudou medicina. Não era um aluno brilhante: não gostava muito de clínica.
No decorrer do curso, porém, fez uma descoberta que mudou não apenas a sua carreira, mas toda sua vida. Como ele próprio conta na sua tese de doutoramento sobre doenças transmitidas pela água (grafia da época): "Desde o primeiro dia em que nos foi facultado admirar o panorama encantador que se divisa quando se colloca os olhos na ocular dum microscópio; desde que vimos, com o auxilio desse instrumento maravilhoso os numerosos seres vivos que povoam uma gotta d'água; desde que aprendemos a lidar com o microscopio, enraizou-se em nosso espírito a idéia de que os nossos esforços intelectuaes d'ora em diante convergiriam para que nos instruissemos, nos especialisassemos numa sciencia que se apoiasse na microscopia."

Oswaldo não era exceção: todo estudante de medicina fica maravilhado quando olha pela primeira vez ao microscópio. Em primeiro lugar, é um mundo novo e fascinante que se descortina. Depois, trata-se de tecnologia, e tecnologia, na medicina moderna, representa um forte apelo. À época em que Oswaldo Cruz cursou a Faculdade de Medicina, a tecnologia ainda se reduzia a uns poucos recursos, entre eles o microscópio, que tinha atrás de si a figura gigantesca e já quase lendária de Louis Pasteur (1822-1895), cujo instituto era visto por muitos médicos como o "santuário" da medicina. Ali foram identificados germes causadores de muitas doenças. Para estas eram preparados soros e vacinas.

Nessa época foi também introduzida a antissepsia, que consiste em usar substâncias contra os germes. Tudo isso seria completado, já no século XX, com o desenvolvimento dos antibióticos. A admiração de Oswaldo pela microbiologia era explicável.

Em 1893 casava-se com a namorada de infância Emília, com a qual teria seis filhos. Ao mesmo tempo via-se diante de um desafio: que rumo tomar na profissão? Emprego ele tinha, mas não lhe satisfazia. Decidiu aperfeiçoar-se em microbiologia em Paris; afinal, lá ficava o Instituto Pasteur, lá estavam as grandes cabeças da especialidade. Problema: o sustento na Europa era caro; naquela época bolsas de estudo praticamente não existiam. O sogro, homem rico, dispôs-se a ajudar. Em 1896 Oswaldo seguia com a família para Paris.
Lutando contra a peste

Oswaldo estagiou em vários lugares, incluindo o Instituto Pasteur. Regressando ao Brasil, tentou ganhar a vida com o que aprendera. Abriu um serviço de urologia e um laboratório de análises. Também voltou para o emprego na fábrica de tecidos, no qual substituíra o pai. E ainda trabalhava, junto com outros médicos, numa policlínica. Mas em outubro de 1899 foi convidado a formar, junto com dois famosos cientistas de São Paulo, Adolpho Luz e Vital Brazil, uma comissão encarregada de investigar casos suspeitos de febre bubônica em Santos.

Esse convite representava um reconhecimento oficial de suas qualificações. Oswaldo não hesitou em aceitá-lo. Fez os exames laboratoriais e concluiu que se tratava mesmo de peste. Seu relatório, porém, foi posto em dúvida. Peste era um diagnóstico sombrio, e as atividades do porto ficariam prejudicadas: muitos capitães de navios se recusariam a atracar ali. Por causa disso o material foi enviado à Europa. Os laboratórios europeus confirmaram as conclusões de Oswaldo cujo prestígio, evidentemente, cresceu.

O surto de peste gerou um enorme problema. O único e duvidoso tratamento para a doença era o soro antipestoso, preparado com a inoculação das bactérias causadoras da peste em animais (cavalos, geralmente), que fabricavam anticorpos como defesas. Além de não funcionar muito bem, tal soro tinha de ser importado da Europa. O governo federal decidiu, então, fabricá-lo no Brasil. Para isso criou dois institutos, um em São Paulo outro no Rio.

Este último era dirigido pelo barão de Pedro Afonso, médico de grande clínica, professor da Faculdade de Medicina e aristocrata conhecido pela arrogância. O barão queria contratar, para diretor-tecnico, um cientista estrangeiro. Para isso, pediu a Émile Roux, diretor do Instituto Pasteur, que lhe indicasse um nome. Roux ponderou que o Brasil já contava com um grande cientista: Oswaldo Cruz. O barão procurava longe o que estava perto.
Oswaldo Cruz trabalhou dois anos no Instituto Soroterápico. As desavenças entre ele e o barão eram freqüentes. Oswaldo, embora mais moço e menos famoso, não levava desaforos para casa. Acabaram saindo os dois. Só que Oswaldo voltou. Como diretor. E aí foi indicado para o cargo de Diretor de Saúde Pública, com amplos poderes para enfrentar as pestilências no Rio de Janeiro.

Oswaldo enfrentou a tarefa com extrema competência. Era um notável cientista e um grande administrador, e capaz de muito autoritarismo. As primeiras campanhas foram dirigidas à febre amarela. Havia controvérsias acerca dessa doença: muitos médicos, inclusive professores da Faculdade de Medicina, achavam que a causa seria um hipotético bacilo transmitido pelos alimentos ou pelo solo. Oswaldo, baseando-se em trabalhos feitos em Cuba, defendia a hipótese da transmissão por mosquitos, e organizou brigadas de mata-mosquitos, para - dentro do espírito de campanha, um termo militar - combater os focos dos insetos.

Apesar do ceticismo da imprensa - ele era um alvo predileto para os caricaturistas e humoristas - e de boa parte da população, a campanha teve êxito: os casos de febre amarela diminuíram consideravelmente. A seguir, voltou sua atenção para a peste bubônica. Tratava-se de desratizar a cidade e, para isso, Oswaldo lançou mão de um expediente: assim como a recente campanha contra armas, ele pagava por ratos mortos. De novo, a gozação foi enorme - e aumentou quando apareceu um cidadão chamado Amaral, que criava ratos para vender ao governo. Mas, de novo, a campanha teve êxito.
A Revolta da Vacina

VARÍOLA

O alvo seguinte seria a varíola, para a qual já existia, há mais de cem anos, uma vacina, introduzida por um médico inglês chamado Edward Jenner. Segundo a tradição, quem deu à Jenner a idéia da vacina foi uma camponesa: ela afirmou ao médico que não teria varíola porque ordenhava vacas portadoras de uma doença chamada vaccinia, a varíola das vacas. As lesões da vaccinia eram leves e, de fato, imunizavam contra a varíola.
Hoje se sabe que os vírus dessas doenças são parecidos, mas à época sequer se suspeitava da existência deles. Mesmo sem conhecer a causa da doença, Jenner teve então a idéia de extrair o líquido das lesões da vaccinia e aplicar em pessoas, conseguindo assim imunizá-las. A vacina anti-variólica foi o primeiro imunizante a ser utilizado pela saúde pública. Mas, para funcionar, era necessário que um número grande de pessoas fosse vacinada.

Por meio de um novo regulamento sanitário, logo apelidado de "código de torturas", Oswaldo Cruz tornou a vacinação obrigatória. Esta medida foi muito mal recebida pela população. Dizia-se que a vacina poderia matar ou, no mínimo, deixar a pessoa com cara de bezerro. Também corria o rumor de que as vacinas eram feitas com sangue de rato - aqueles mesmos que o governo comprara na campanha contra a peste.

Mais ainda: a vacina era aplicada com uma espécie de estilete, nos braços ou nas pernas. Isso, para mulheres, configurava uma ofensa ao pudor, coisa que os vacinadores, às vezes pessoas grosseiras, não levavam em conta. Dizia uma canção da época: "Chega o tipo e logo vai/ enfiando aquele troço,/ lanceta e tudo mais(...)/ A lei manda que o povo,/ o coitado do freguês,/ vá gemendo pra vacina,/ ou então vá pró xadrez./ Eu não vou neste arrastão/ sem fazer o meu barulho."
Como se tudo isso não bastasse, havia ainda uma importante questão trabalhista: para conseguir emprego, era necessário o atestado de vacinação, fornecido por médicos particulares, que cobravam pelo documento.

Isso deixava indignado o nascente movimento sindicalista brasileiro. O Centro da Classe Operária, formado sobretudo por marítimos, e dirigido por Vicente de Souza, organizou um abaixo-assinado contra a obrigatoriedade da vacina, que foi assinado por mais de 15 mil pessoas, incluindo muitos militares.
Também se opunham à medida os positivistas, que valorizavam a ciência, mas viam na vacinação um atentado contra a liberdade individual, um "despotismo sanitário", nas palavras do líder positivista Teixeira Mendes, ele próprio um médico. Finalmente havia a oposição política, que incluía os monarquistas, ainda instatisfeitos com a proclamação da República.

Com tanta gente contra a vacinação, não é de admirar que em 10 de novembro de 1904 tenha eclodido uma revolta, a Revolta da Vacina. Durou cerca de duas semanas e transformou o Rio de Janeiro num cenário de guerra. Atrás de barricadas, os insurgentes enfrentavam as tropas do governo, que teve de mobilizar até a Marinha. Vários líderes surgiram então, o mais conhecido deles foi um capoeira conhecido como Prata Preta, que se destacou pela coragem e pela astúcia. O bairro que mais resistia era o da Saúde, no centro velho do Rio, e que ficou conhecido pelo apelido de Porto Arthur, este o nome de uma cidade que, na guerra russo-japonesa então em curso, era foco de ferozes combates.

Quase um golpe militar

Positivista destacado era também o paraense Lauro Sodré, general, senador e líder de grande prestígio, considerado o herdeiro de Floriano Peixoto. Ferrenho opositor do governo, Sodré não atacava apenas a vacinação obrigatória: denunciava o domínio do país pela oligarquia cafeeira da qual Rodrigues Alves era representante. Era preciso, argumentava, diversificar a agricultura e estimular a industrialização.
Sodré assumiu a presidência da Liga contra a Vacinação Obrigatória, fundada a 5 de novembro de 1904, no Centro da Classe Operária. Em seu discurso, fez um protesto veemente: "... esse governo só tem o rótulo de republicano, porque isto que nós temos como forma de governo é uma república falsificada.

À nação assiste o direito de repelir a força pela força ... Essa lei iníqua, arbitrária e deprimente provoca a reação, que deve ser feita por todos os meios, inclusive a bala."
Tão logo começaram os protestos de rua e os choques com a polícia, o senador Lauro Sodré e o general Silvestre Travassos dirigiram-se à Escola Militar, na Praia Vermelha, e prenderam o seu comandante, general Alípio de Macedo Costallat, obtendo adesão em massa dos cadetes, cerca de trezentos deles. Marcharam para o Palácio do Catete, entrando em choque, na Rua da Passagem, com as tropas do 1º Regimento de Infantaria e da Brigada Policial, à frente das quais estava o general Carlos da Silva Piragibe. No combate, de resultado indefinido, Sodré e Travassos foram feridos.
No dia 15, feriado nacional, operários de fábricas do Jardim Botânico fizeram barricadas. Batalhões de Minas e São Paulo chegaram para reforçar as tropas federais. Barricadas apareceram também nos bairros do centro da cidade. A batalha final deu-se no bairro da Saúde, onde as barricadas, com bandeiras vermelhas, estavam montadas ao longo de toda a Rua da Harmonia. Precariamente armados com garruchas e navalhas, os rebeldes recorriam a truques - como um simulacro de canhão, feito com um poste de iluminação.

O ataque, iniciado pela polícia e pelo Exército - depois apoiados pela Marinha - encontrou forte resistência. O saldo da revolta foi 30 mortos, 110 feridos e 945 prisioneiros, dos quais 454 enviados para o Acre. O General Travassos morreu dos ferimentos recebidos; Lauro Sodré ficou detido 10 meses em um navio de guerra. Os cadetes da Escola Militar foram desligados e o estabelecimento passou a funcionar no Realengo.

Finalmente, sufocou-se o movimento com muitos mortos e dezenas de prisioneiros. O governo recuperou o controle da situação, mas a verdade é que a imagem de Oswaldo estava muito prejudicada. Sua demissão do cargo parecia questão de tempo. A vacinação obrigatória foi suspensa (com resultado desastroso: em 1908 eclodiu novo surto, com quase 10 mil casos). Estava claro que Oswaldo Cruz já não teria o mesmo poder, ainda que posteriormente, e graças a um prêmio internacional, houvesse recuperado o prestígio. Acabou deixando o cargo de Diretor de Saúde Pública, para fundar o instituto de pesquisas que hoje leva o seu nome. Participou ainda de viagens pelo interior do Brasil, sempre ligadas a problemas de saúde pública; e foi nomeado prefeito da cidade de Petrópolis, RJ, onde teve muitas desavenças com proprietários locais. Faleceu em fevereiro de 1917.

Pode-se extrair da Revolta da Vacina uma lição até hoje válida: não dá para fazer saúde pública sem o público, sem a população, devidamente motivada e mobilizada. Vacinar pessoas não é a mesma coisa que vacinar gado. É preciso levar em conta fatores psicológicos, sociais e culturais. Na Inglaterra e nos Estados Unidos, até médicos manifestavam-se contra a vacinação. Num artigo do New York Journal of Medicine, em julho de 1899, dizia Charles Rauta, professor de Higiene:
"A vacinação é uma monstruosidade." Palavras que encontaram eco em Barata Ribeiro, médico, senador, professor da Faculdade de Medicina do Rio que declarava: "Prefiro morrer a me vacinar."
Seria, portanto, necessário comunicar-se com a população, informá-la e esclarecer suas dúvidas. Mas isso Oswaldo Cruz não chegou a fazer. Em parte, talvez, por causa do autoritarismo então comum entre médicos, sobretudo os sanitaristas. Em parte, também, porque não contava com meios de comunicação de massa adequados. Na época, aquilo que hoje conhecemos como mídia, restringia-se aos pasquins e aos jornais - que eram, em sua maioria, contra o governo e que, além disso, não tinham muitos leitores, numa época em que a maioria da população era analfabeta.

Mas a saúde pública brasileira aprendeu, sim, esta lição. Informar as pessoas faz parte de qualquer programa de controle de doenças. As vacinas, devidamente aperfeiçoadas, são hoje bem aceitas; mães e pais acorrem em massa aos postos de vacinação, trazendo seus filhos. Oswaldo Cruz lidaria hoje com um país diferente. Mas a verdade é que Oswaldo Cruz, hoje, também seria um homem diferente.